10 de jul de 2017

Gisele Bündchen faz campanha antipeles

Hoje está todo mundo falando da capa da Vogue Paris onde a modelo brasileira faz campanha em prol de peles sintéticas. Eu acho louvável e um pouco tardio da modelo que já ganhou dinheiro com peles de animais torturados e mortos com eletrocução anal. Tudo bem, antes tarde do que nunca. Mas é preciso parar com a pele falsa também. O problema aqui é estético. No mercado, pouca gente vai conseguir diferenciar o que é falso e verdadeiro, embora para os animais o sofrimento é extremamente verdadeiro. A pele sintética perpetualiza a ideia de usar peles, de certa forma o legitimiza por criar uma versão mimética. É preciso uma ruptura mais drástica, buscar outra forma e apresentação de materiais. A pele sintética ainda carrega simbolicamente uma ideia de domínio, diferente do tecido com padronagem animal, onde é claro que se trata de uma homenagem por se tratar de uma textura muito diferente. Resumindo: pele sintética é melhor do que pele de animal, mas não põem fim a ideia de que pele pode ser usada - e a verdadeira, como sabemos que o fazem com cães na China, pode ser introduzida na supply chain sorrateiramente. Não superestime a capacidade da humanidade de ser ética e responsável.


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